Mais do que um simples projeto de fãs, The King of Fighters ’97 Reboot se propõe como um exercício de memória cultural. Desenvolvido de forma independente por Rik Taym e pelo coletivo Voyd Play Game Studios, o jogo é uma homenagem direta ao clássico da SNK que marcou gerações nos fliperamas brasileiros dos anos 1990.
Criado sem fins comerciais, o projeto busca recriar a experiência do KOF ’97 com fidelidade estética e mecânica, mas adicionando camadas inéditas de narrativa e ajustes de jogabilidade que dialogam com jogadores experientes. Tudo isso rodando na engine Ikemen GO, uma evolução de código aberto do Mugen, frequentemente subestimada, mas aqui levada ao limite de seu potencial técnico.
Um colapso temporal como motor da narrativa
O ponto de partida da história é um colapso no tempo e no espaço. Após os eventos mais recentes da franquia oficial, o personagem Ash Crimson teria provocado uma instabilidade temporal de grandes proporções. As consequências desse desequilíbrio se espalham por diferentes eras da linha do tempo da série.
É nesse contexto que surge Goeniko, uma personagem inédita e central na trama. Descendente direta de Goenitz, ela foi abandonada ainda bebê em um convento na cidade de São Paulo, em 1994. Criada como freira, Goeniko cresce atormentada por visões e sonhos ligados ao legado de sua família e ao despertar de Yamata no Orochi.
Durante um ritual interrompido, algo sai errado: Goeniko é sugada por uma fenda temporal e enviada diretamente para 1997, pouco antes do torneio The King of Fighters daquele ano. O resultado é um efeito dominó narrativo: personagens mortos retornam, lutadores que nunca participaram do torneio entram em cena e a própria lógica da linha do tempo começa a se desfazer.
Novos personagens e resgate de figuras esquecidas
Até o momento, o projeto revelou oficialmente uma personagem original: Michiko Kagura. Vinda do ano 197, ela é uma anciã que enfrentava Orochi ao lado dos irmãos Yasakani quando foi tragada pela ruptura temporal. Sua presença estabelece uma ligação direta com Chizuru Kagura, que a acolhe como avó, ao mesmo tempo em que reencontra sua irmã Maki, antes aprisionada no espelho do clã Yata.
Além disso, a equipe estuda a inclusão pós-lançamento de até três personagens originais brasileiros, alguns deles assumidamente inspirados em ícones e memes da cultura nacional dos anos 1980 e 1990. Também estão nos planos versões repaginadas de personagens do universo SNK pouco explorados no KOF ’97, como Bob Wilson, Hon Fu e Franco Bash, além de um Orochi em duas fases distintas.
Ajustes finos na jogabilidade clássica
No campo mecânico, The King of Fighters ’97 Reboot aposta na preservação do ritmo e da identidade do jogo original. O sistema de três barras permanece como base, mas recebe expansões estratégicas que ampliam as possibilidades sem descaracterizar o combate.
Entre as novidades está a barra DriveRush, que funciona como uma variação da barra time tradicional. Ela permite maior liberdade de combos, uso intensivo de golpes com botões duplos e até sequências quase infinitas, tudo isso com riscos calculados, já que a barra pode ser consumida rapidamente ou cancelada de forma estratégica.
Outro detalhe importante está nos agarrões: todos passam a ter animação de falha, como em KOF ’98, tornando as lutas mais legíveis e equilibradas, sem reduzir o impacto desses golpes, que continuam tão poderosos quanto no jogo original.
Desenvolvimento, dublagem e ética
Atualmente, o projeto se encontra na fase três de desenvolvimento, com todos os golpes básicos já programados. As próximas etapas envolvem ajustes de especiais, balanceamento de animações, correções finas e implementação completa de efeitos sonoros e vozes.
Nesse ponto, o jogo já conta com cerca de 25 dubladores brasileiros voluntários, todos fãs da franquia. As falas são gravadas integralmente em japonês, misturando expressões clássicas da série com novas interações, sempre respeitando o universo original.
A equipe faz questão de reforçar sua posição ética: o projeto não aceita doações, não vende produtos e não distribui o jogo completo sem autorização. O pitch oficial, inclusive, foi enviado à SNK em inglês e japonês como forma de transparência e respeito institucional The King of Fighters’97 Reboot.
Lançamento e preservação cultural
Ainda sem data definida, The King of Fighters ’97 Reboot deverá ser lançado exclusivamente na plataforma ZABU, voltada à preservação de jogos feitos por fãs e projetos autorais desenvolvidos com engines como Ikemen GO. A proposta é evitar distribuições indevidas e proteger esse tipo de iniciativa como patrimônio cultural da comunidade de jogos de luta.
No fim das contas, o projeto se apresenta menos como um “remake” e mais como um diálogo entre passado e presente. Um lembrete de que, para muitos jogadores brasileiros, The King of Fighters nunca foi apenas um jogo, foi um ponto de encontro, identidade e resistência cultural em forma de pixels.
Redes Sociais
Mais informações e atualizações do projeto podem ser encontradas nas redes sociais oficiais:
https://www.youtube.com/channel/UCkTJUWHWbck_5H3PYV8OLLA
https://www.facebook.com/KOF97R
https://www.threads.com/@kof97r






