A Marvel está prestes a ganhar um novo capítulo em sua longa, e irregular, trajetória nos jogos de luta. Marvel Tokon: Fighting Souls foi anunciado como um projeto ambicioso, desenvolvido pela Arc System Works, estúdio japonês consagrado por redefinir o gênero com títulos como Guilty Gear Strive e Dragon Ball FighterZ.
Diferente das abordagens mais tradicionais da Marvel nos games, o novo título aposta em um sistema de batalhas 4 vs 4 em estilo tag, algo ainda raro mesmo dentro do gênero. A proposta não é apenas aumentar o número de personagens em tela, mas transformar o ritmo e a estratégia das lutas, incentivando trocas constantes, sinergia entre equipes e decisões rápidas em tempo real.
Sistema 4 vs 4: caos controlado ou evolução natural?
À primeira vista, quatro personagens por lado podem soar como excesso. Mas, segundo as primeiras informações divulgadas, Fighting Souls foi pensado para manter fluidez e legibilidade, marcas registradas da Arc System Works. A ideia é que apenas dois personagens fiquem ativos ao mesmo tempo, enquanto os demais entram de forma contextual, seja em assistências rápidas, ataques combinados ou trocas estratégicas.
Na prática, isso aproxima o jogo de uma lógica mais próxima dos animes de batalha em equipe, algo que o estúdio domina com precisão quase cirúrgica. Para veteranos de jogos como Marvel vs. Capcom e Dragon Ball FighterZ, o sistema soa familiar, mas com uma camada extra de profundidade tática.
Estética anime encontra super-heróis ocidentais
Outro ponto que chama atenção é o visual. Marvel Tokon: Fighting Souls adota a já consagrada técnica de 2.5D estilizado, com personagens em cel-shading que simulam animação tradicional. É a “assinatura ArcSys” aplicada a heróis como Homem-Aranha, Capitã Marvel e outros ícones da Marvel, agora reinterpretados com traços mais próximos da estética japonesa.
Essa escolha não é apenas estética: ela influencia diretamente a leitura dos golpes, o impacto visual e a identidade do jogo. Assim como Dragon Ball FighterZ se tornou referência por “parecer um anime jogável”, a expectativa é que Fighting Souls faça o mesmo com o universo Marvel, ainda que isso possa dividir opiniões entre fãs mais puristas.
O que esperar até 2026?
Até o momento, a Arc System Works e a Marvel Games mantêm sigilo sobre elenco completo, modos de jogo e plataformas. Sabe-se apenas que o projeto está planejado para 2026, com foco inicial no competitivo e forte potencial para eSports, algo que o estúdio japonês vem explorando com cada vez mais maturidade.
A ausência de detalhes, no entanto, não impede especulações. Um modo história cinematográfico, inspirado nos crossovers da Marvel, parece quase inevitável. Da mesma forma, suporte contínuo com novos personagens via DLC deve fazer parte do pacote, prática já comum no gênero.
Um jogo para fãs de luta — e para além deles
Mais do que “apenas mais um jogo da Marvel”, Marvel Tokon: Fighting Souls sinaliza uma mudança de estratégia: apostar em estúdios especializados, com identidade forte, em vez de projetos genéricos. Para a Arc System Works, é também a chance de aplicar seu know-how técnico a um dos universos mais populares da cultura pop.
Se vai dar certo? Ainda é cedo para cravar. Mas uma coisa é certa: o jogo já nasce com algo raro hoje em dia, uma proposta clara e autoral.
E no mundo dos jogos de luta, isso vale mais do que qualquer superpoder.

