Desde que descobriu o Mugen ainda na infância, Diogo Barros, um estudante de Direito de 24 anos, sonhava em levar essa engine de luta para o celular. A surpresa veio em 2017, quando encontrou um caminho real para fazer isso acontecer, e, desde então, vem criando versões Android, ferramentas como o Openset e projetos ousados como o Androx Engine.
Início nos games e primeira experiência com Mugen
Qual foi seu primeiro contato com games e com o Mugen?
O Super Nintendo foi meu primeiro video game… depois testei todos os outros retrô, como a última versão do Atari.
E, aos 11 anos, jogou um Mugen dos Cavaleiros do Zodíaco na casa de um amigo, e depois versões em MS-DOS com poucos personagens. Entre os preferidos estavam “Dragon Ball vs Others 3” e “DBZ Mugen Edition 2”, baixados da Recreio ou Level Up.

Foi essa mistura de nostalgia e curiosidade que alimentou seu fascínio e o impulso criativo, levando-o de jogador a criador.
Da jogar para criar: Sprite Swap e domínio do código
O que o motivou a criar seus próprios personagens no Mugen?
Comecei a criar alguns personagens apenas por Sprite Swap… eu queria criar, pois os queria dentro do meu jogo. Eu tinha um ataque em mente… por meio de tentativa e erro fui aprendendo como funcionava cada código.
O interesse, inicialmente simples, trocar sprites, logo evoluiu em estudo de códigos e lógica, com erros que ensinaram e moldaram sua jornada técnica.
Conquistas e ferramentas: Emulator, Openset e Androx
Diogo acumulou várias realizações: personagens de Dragon Ball Z/GT/Super, múltiplas versões do Mugen Android Emulator (v0.1 a v1.5), além do Openset (conversor de chars). E tem ainda o ambicioso Androx Engine, uma plataforma de criação de jogos que inclui lutas 2D, puzzles, plataformas, multiplayer e servidor online, retomável em um mês, segundo o autor.

O obstáculo: o sumiço da ElecByte
Ainda é possível atualizar oficialmente o Mugen?
Não é possível. Como a ElecByte sumiu desde 2015… não temos o source code… se houver um bug, temos que burlar.
A ausência da ElecByte e do código-fonte original apresenta um desafio crítico — sem acesso ao código, somente hacks contornando bugs são possíveis, como o próprio Diogo precisou fazer.
Como nasceu o Mugen Android Emulator
Como você conseguiu adaptar o Mugen para Android?
Usei templates do site do Dosbox… descompilei o Dosmugen e o Winmugen, misturei partes de código hexadecimal…”
Com plugins, drivers e até boot de versões do Windows antigos, criou algo funcional, ainda que rudimentar, e desenvolveu o conversor automático de chars.
Foi esse trabalho quase artesanal, de engenharia reversa e bricolagem digital, que possibilitou rodar o Mugen em smartphones , um feito admirável e complexo.
Expressões internas da comunidade e visão crítica
E o que pensa dos modismos no Mugen hoje?
Diogo elogia projetos como o “Falso 3D”, mas observa:
Tem coisas que não fazem parte da proposta… é melhor usar outras engines como Godot ou Unity.
Ele reconhece o valor de experimentações, mas defende que certas criações fogem ao propósito original, sugerindo ferramentas mais adequadas para esses rumos.
Preferências, rivalidade e o apelo do Mugen
Quais são seus favoritos na comunidade?
Gosto muito do Orochi normal… nunca me apeguei a screenpacks.”
Sobre rivalidade: São coisas infantis… rende audiência, mas acaba saturando.
E sobre o encanto duradouro do Mugen:
Ele segue vivo porque novatos acham que é qualquer jogo 2D… impressionam-se com personagens lotados, mesmo desbalanceados.
A paixão pelo Mugen, para Diogo, nasce da simplicidade caótica e da fantasia descompromissada, mesmo que desequilibrada, segue atraente para gerações novas.
Dicas para criar no Mugen
Que conselho daria para quem quer começar a criar no Mugen?
Primeiro entender o que é um plano cartesiano… depois abrir com Fighter Factory e assistir meu tutorial bem humorado… com tentativa e erro e o Google Tradutor, você cria qualquer coisa.”
A proposta de Diogo é prática: comece pelo básico, explore com humor e persistência, e divirta-se nesse aprendizado.
Projetos atuais e próximos passos
Além do Androx e do Openset (em nova versão esperada após sua engine Astarout), Diogo já planeja o futuro: abrir a criação de chars de Dragon Ball Super, colaborar com nomes como Luiz17, Joeflizz, LegendTTA, Nostalgic 3D e Ian Miguel, enfim, seguir construindo a comunidade que o inspira
Diogo Barros é mais que um entusiasta: com 111 mil acessos no site e trânsito numa comunidade apaixonada, ele é uma peça chave na história recente do Mugen. Sua jornada, técnica, solitária, mas cheia de propósito, simboliza o espírito maker e colaborativo do universo dos fãs de luta 2D.
Dentre as suas contribuições para o Mugen, podemos citar:
