A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é apresentar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisas futuras para quem deseja trabalhar com represontologia. O post de hoje é sobre Ryu, personagem da franquia Street Fighter.
Ele é o protagonista da franquia, que mostra uma série de torneios secretos que ocorrem em várias partes do mundo, variando o motivo deles de acordo com o vilão de cada jogo – Sagat para ser o melhor lutador, Bison querendo atrair novos corpos para sua alma, Akuma querendo demonstrar poder destruidor, Gill com os illuminatti.
Ryu (cujo kanji no nome é de “Escola”, e não “dragão”) é o ponto de encontro de todos os jogos, pois ele busca sempre se fortalecer enquanto lutador, não com o objetivo de dominar ou matar. Mas, ao longo dos anos, foi evidenciado que ele guarda uma espécie de demônio dentro de si, que é quando a energia Satsuo no hadou toma conta dele – inspiração possível em Darth Vader.

Para a representação da magia é um assunto de grande interesse. Afinal, essa ciência pensa com cuidado como uma representação interna se torna externa, teorizando sobre seu grau de nitidez, e a magia bagunça tudo.
Se fôssemos fazer um radouken sem usar magia fictícia, precisaríamos produzir uma espécie de laser ou luz sólida, o que exigiria tecnologia e recursos. Além do mais, não estariam disponíveis o tempo todo, precisaríamos de um espaço específico com fonte de energia.
Já a magia inverte esse processo: o hadouken provém de energia espiritual, que se desprende do total de energia disponível e é utilizado enquanto ataque à distância. É uma outra instância de execução, mas parte de uma representação interna, que vai disparar este sexto sentido e viabilizar o golpe.

Portanto, a magia modifica o processo representacional, e não explica como ocorre, apenas o efeito sem a causa física.

