que é “Represontologia da Cultura”?
A série “Represontologia da Cultura” apresenta artefatos culturais analisados por meio da Represontologia, a ciência das representações. O objetivo é apresentar aplicações dos conceitos e também sugerir temas de pesquisas futuras para quem deseja trabalhar com represontologia.
Dragon Ball é uma das franquias mais influentes da cultura pop japonesa, criada por Akira Toriyama em 1984. Misturando aventura, artes marciais, fantasia e ficção científica, a série acompanha a trajetória de Goku desde sua infância até a fase adulta, enfrentando inimigos poderosos e formando alianças em diferentes planetas e dimensões. O ponto de partida da narrativa é a busca pelas Esferas do Dragão, artistas místicos que, quando reunidos, invocam Shenlong, um dragão celestial capaz de conceder desejos. Shenlong se tornou um dos símbolos centrais da franquia, aparecendo ao longo de diversas sagas para restaurar vidas, reverter tragédias ou realizar pedidos grandiosos. Com sua forma serpentina e presença imponente, ele representa o elo entre o mundo dos mortais e das forças cósmicas, sendo também a materialização do potencial transformador das escolhas humanas dentro do universo ficcional de Dragon Ball.
O mais interessante para a representação é o próprio Sheng Long, que concede o desejo. Mais especificamente, o mecanismo de realização de um desejo é mais interessante.
A mágica é algo muito interessante para essa ciência, pois o desejo é baseado numa representação interna, que diz como o mundo deveria ser (por exemplo, Bulma queria um namorado) e que, possivelmente, é algo que ainda não ocorre. Em condições normais, um indivíduo utiliza essa representação enquanto projeção e, quando envelhece, a utiliza como padrão de análise. Mas tudo isso passa por uma ação, que exige o trabalho de outras representações e o investimento de tempo.
Assim, a mágica do Dragão consiste em tornar imediatamente concreto aquilo que é pensado e comunicado por via da fala – até por isso ocorrem erros, como mostra o começo de Dragon Ball GT. E, além de ser uma realização, é uma concretização perfeita. Isso mostra que ou o Dragão possui uma espécie de episteme platônica, com todas as representações no seu estado perfeito em estoque, ou que existe uma leitura da própria representação do indivíduo – o que ainda é impossível porque a representação apresenta uma linguagem própria.
O fato de haver a busca das esferas poderia ser considerado como o trabalho humano para concretizar a representação, porém existem desejos que não são resultados do trabalho humano, então não são atalhos para a representação. Por exemplo, Freezar e Vegeta desejavam a vida eterna, o que é um desejo diferente, por exemplo, de se tornar rei do mundo, que pode ser possível, mesmo que atraia.


