Existe um tipo específico de conteúdo que nasce torto, cresce estranho e termina imortalizado. No universo gamer brasileiro, isso tem nome, ritmo improvisado e coreografia de braço duro: são as músicas e danças “ruins” inspiradas em videogames que, por algum motivo cósmico, viraram memes eternos.
Boa parte dessas criações ficou associada à dupla Fábio Alves Torres (Mantena) e João Paulo de Melo Souza (JP), de Uberlândia (MG), responsáveis por transformar referências de games clássicos em videoclipes de estética simples, letras repetitivas e coreografias performáticas. Longe de produções profissionais, os vídeos apostavam em criatividade crua e carisma exagerado, combinação perfeita para viralizar na era do YouTube raiz.
Não são tributos oficiais. Não são produções de estúdio. São criações que misturam paixão, exagero, baixa qualidade técnica e zero medo de passar vergonha. E talvez seja exatamente por isso que funcionam.
A Dança do Street Fighter
Inspirada em Street Fighter II, essa versão musical transforma o torneio mundial de artes marciais em algo próximo de um baile improvisado de garagem.
A letra é repetitiva. A batida parece saída de um teclado com preset automático. A coreografia tem movimentos rígidos que tentam simular golpes como Hadouken e Shoryuken, com resultados… discutíveis.
Criada e interpretada por Mantena e JP, a música ganhou força justamente pelo contraste entre a grandiosidade do clássico dos fliperamas e a simplicidade quase artesanal do clipe. Quanto mais exagerado, melhor.
A Dança do Mortal Kombat
Se Mortal Kombat ficou famoso pelo realismo violento nos anos 90, sua versão dançante parece saída de um universo paralelo onde os ninjas resolveram abrir uma companhia de dança.
A produção é simples. O refrão gruda sem explicar como. E os movimentos tentam dramatizar golpes fatais com entusiasmo quase teatral.
Mais uma vez, Mantena e JP assumem o protagonismo, transformando um jogo marcado por fatalities em uma performance quase escolar, mas com convicção suficiente para virar meme.
É ruim? Tecnicamente, sim.
É inesquecível? Também.
O Passinho do Mario Bros
Baseado em Super Mario Bros., o passinho adapta a simplicidade 8-bits para uma batida dançante que parece ter sido produzida em uma tarde de criatividade impulsiva.
A coreografia tenta reproduzir os pulos do personagem, mas o resultado é quase sempre um híbrido entre ginástica escolar e dança de internet dos anos 2000.
Na versão popularizada por Mantena e JP, o Mario deixa o Reino dos Cogumelos para entrar direto na cultura meme brasileira. É o tipo de conteúdo que você assiste rindo… e depois percebe que o refrão está preso na sua cabeça.
A Dança do Japolin
Inspirada no universo de El Chapulín Colorado, que também ganhou adaptações em jogos ao longo dos anos, a “Dança do Japolin” é um espetáculo à parte.
Figurinos improvisados. Coreografia com energia de apresentação escolar. Letra repetitiva. Tudo embalado por um entusiasmo que compensa qualquer limitação técnica.
Mantena e JP apostam novamente na teatralidade exagerada, e é justamente esse excesso que transforma o vídeo em memória afetiva da internet brasileira.
É aquele tipo de vídeo que você mostra para alguém dizendo: “Olha isso aqui.”
E a pessoa responde: “Meu Deus.”
E assiste até o fim.
Por que isso viraliza?
Porque a internet ama autenticidade, mesmo quando ela vem acompanhada de desafinação e passos duvidosos.
As produções de Mantena e JP não viralizaram pela qualidade técnica. Viralizaram pela coragem. Pela espontaneidade. Pela sensação de que alguém simplesmente decidiu misturar videogame com ritmo popular e apertar “publicar”.
No fim, o meme nasce exatamente do excesso: exagero na interpretação, na edição, na confiança.
E talvez essa seja a maior prova de que os games deixaram o controle na sala e foram dançar no meio da festa, mesmo que fora do ritmo.
Tentamos procurar os perfis oficiais do artista, porém parece que abandonaram a carreira musical definitivamente.
Youtube: https://www.youtube.com/@MantenaJP
Instagram: https://www.instagram.com/mantenaejp
