“Calma, você não está atrasado”
Você já viu aquela cena clássica: personagens andando da esquerda para a direita, trocando socos com gangues infinitas, coletando comida no chão (sim, pizza cura!) e salvando a cidade no final. Parece simples demais? Ou antigo demais? Pois é aí que mora o truque.
O beat ’em up é um dos gêneros mais acessíveis da história dos videogames, e, paradoxalmente, um dos mais intimidados por quem chega agora, achando que “não é para mim” ou que “já passou do tempo”. Spoiler: não passou. E nunca passa.
Este guia é para quem tem curiosidade, mas insegurança. Para quem já tentou um jogo do gênero, apanhou bonito e desistiu. E para quem quer entender por que esse estilo moldou gerações inteiras, e ainda rende boas horas de diversão hoje.
O que é, afinal, um beat ’em up?
Beat ’em up é o gênero do “andar e bater”. O jogador avança por cenários lineares, enfrenta grupos de inimigos corpo a corpo e aprende, quase sem perceber, a dominar espaço, tempo e ritmo.
Não exige reflexos milimétricos nem combinações quilométricas. Exige leitura de cena. Quem vem primeiro? Quem cerca? Quando avançar? Quando recuar?
Nos anos 80 e 90, esses jogos eram reis dos fliperamas. Curto tempo de aprendizado, diversão imediata e cooperação local: dois (ou mais) jogadores, lado a lado, enfrentando o caos urbano pixelado.
Um pouco de história (sem aula chata)
O gênero ganhou forma nos arcades com Double Dragon, que popularizou a progressão em fases e o combate cooperativo. Logo depois vieram refinamentos técnicos e narrativos.
A Capcom elevou o padrão com Final Fight, trazendo personagens carismáticos, animações mais pesadas e uma sensação real de impacto.
A SEGA respondeu com estilo e trilha sonora marcante em Streets of Rage 2, considerado por muitos o auge do gênero clássico.
E, claro, houve a explosão de licenças famosas, como Teenage Mutant Ninja Turtles, que transformou desenho animado em pancadaria coletiva.
Esses jogos não eram só entretenimento. Eram pontos de encontro.
“Mas eu não sei jogar isso direito…”
Aqui estão os erros mais comuns de iniciantes, e como evitá-los:
1. Apertar tudo ao mesmo tempo
Beat ’em up não é sobre velocidade, é sobre controle. Observe o espaço. Espere o inimigo atacar. Contra-ataque.
2. Andar só para frente
Movimento vertical é essencial. Subir e descer da “linha” de ataque evita golpes e cria aberturas.
3. Guardar especiais para “depois”
Ataques especiais costumam custar vida, mas salvam situações caóticas. Usar na hora certa é sinal de aprendizado, não de desespero.
4. Jogar sozinho quando o jogo pede companhia
Sempre que possível, jogue em coop. Beat ’em up foi pensado para isso — e fica muito mais intuitivo quando alguém cobre suas costas.
Por onde começar: jogos amigos do iniciante
Se a ideia é se apaixonar pelo gênero, comece por títulos que respeitam o jogador:
Por que vale insistir?
Porque beat ’em up ensina algo raro nos videogames modernos: ler o jogo sem tutorial invasivo.
Você aprende apanhando, observando, tentando de novo. Cada fase é uma lição silenciosa sobre posicionamento e paciência. E, quando tudo “clica”, a sensação é quase física.
Além disso, é um gênero que respeita seu tempo. Dá para jogar 10 minutos ou duas horas. Dá para rir, xingar, comemorar. Dá para compartilhar.
O primeiro soco é sempre estranho
Gostar de beat ’em up não exige habilidade prévia, só disposição para experimentar. No começo, parece repetitivo. Depois, estratégico. Mais tarde, quase coreografado.
É como aprender a dançar em meio a uma briga de rua pixelada.





